A Black Friday já pode ser considerada como uma das datas mais aguardadas pelas empresas que compõem toda cadeia de fornecimento. A despeito de todas repercussões sociais e econômicas que marcam o ano vigente, a expectativa é de que a data traga um fôlego capaz de recuperar parcial ou integralmente essas perdas.

Em razão da presumida vulnerabilidade e hipossuficiência do consumidor frente ao fornecedor, a relação processual em uma ação que verse sobre a matéria é marcada pelo natural desequilíbrio entre as partes. Implica dizer que os consumidores possuem determinadas garantias que elevam o risco de perdas pelas empresas em âmbito judicial. Logo, o trabalho preventivo ganha notório relevo – especialmente em datas chaves como a Black Friday.

Para não se deixar levar pelo senso de oportunidade e, consequentemente, transformar uma oportunidade em um grande prejuízo, é importante que as empresas tomem algumas medidas que vão ao encontro da integral observância e cumprimento da legislação consumerista.

  1. Direito à informação

O direito à informação é um dos seus pilares. A oferta proposta ao consumidor vincula o fornecedor. Implica dizer que toda e qualquer condição apresentada, em qualquer meio de divulgação, coloca a empresa no dever obrigacional de cumpri-la. Naturalmente que o preço é o principal elemento, porém, não o único. O comprometimento de vender um produto por determinado preço a ser entregue em um determinado prazo reveste-se de obrigação contratual, de modo que, em caso de descumprimento, ofende o Código de Defesa do Consumidor e, potencialmente, faz nascer o dever de indenizar.

2. Controle de oferta

Os cuidados com a veiculação da oferta, com o controle de estoque e com a logística necessária para o efetivo cumprimento da transação devem ter atenção redobrada. Como a data aquece o comércio, necessário ajustar junto aos seus fornecedores prazos e entregas que comportem o atendimento da demanda do consumidor final. A depender do contexto, uma alternativa é a estipulação de prazos diferenciados para as compras na Black Friday – desde que devidamente informados ao cliente – garantindo uma margem maior de tempo.

3. Cuide do relacionamento com seus clientes

Relacionado ao direito à informação está a gestão da marca e observação do mercado – sobretudo nas redes sociais. O repentino aumento do interesse do consumidor em busca das melhores ofertas é um prato cheio para a proliferação de golpes, seja para induzir o consumidor a erro, através do uso indevido de marcas, bem como para divulgações fraudulentas, com o objetivo de danificar a imagem alheia.

Não se trata de uma tarefa simples, é fundamental que haja uma comunicação alinhada entre os gestores e funcionários. Além disso, os setores responsáveis pelo atendimento ao cliente devem estar em total atenção nesse período e preparados para lidar com eventuais situações, proporcionando assim, a melhor experiência para seus clientes. 

Por fim, a prática de concorrência desleal deve ser evitada. Além de se tratar de conduta passível de sanções pelos órgãos reguladores, maculam a imagem da empresa e comprometem a sua perenidade no mercado.

O fato é que o trabalho preventivo é aquele que alcança o melhor resultado. Partindo-se de um diagnóstico que considere suas peculiaridades e anteveja seus pontos de maior atenção, naturalmente deixará a empresa preparada para enfrentar qualquer adversidade.

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